Lost in translation
Poetry, thoughts, ... a blog about nothing
Tuesday, July 28, 2009
Turco
mas sei quando meu coração vai cantar
Logo se nota, ele grita, chora e eu deixo ele berrar
Eu entrei para escola dos músicos
quis aprender seu bê-a-bê-mol, mas me perdi
pedi cola
(os colegas não eram generosos)
tentei os professores
rezei meu anjos
promessas aos protetores
nada
símbolos cabulosos
e eu ali
sem saber concatenar o que eram os benditos acordes
e para que tanta ode às tais partituras?
por que não foram logo escritas em turco?
achei tudo loucura
lhe juro
música,
eu quis adentrar seu império
mas você me preferiu manter o mistério
não sei o que é tom, nem clave, nem cifra
me falta o dom
tento rima
queria fazer trilhas
mas largo as apostilas
e volto para o meu estilo de vida:
desafinar
Wednesday, October 24, 2007
vie
Porque dela você faz parte
E sabe coisas que não queria
mas talvez precisasse saber
Porque eu te amo
como imaginei se amassem nos filmes
- Eu sei, sempre os filmes...
Porque seu cavalo é branco
E suas palavras saíram de um roteiro
que tenho certeza
escrevestes
para mim
Tuesday, June 26, 2007
primeiro
O filme da noite passada
a declaração no disco
as frases dos livros
o que sempre ouvi
o que nunca foi visto
depósito de toda a crença
no que a crença não crê mais
clichês baratos
raros
soltos
da grande tela às ruas
tão real que é quase mentira
tão sérios que ainda sentem cócegas
tão sinceros que quase dizem a verdade
de frente, de lado, do alto, debaixo, por um triz, sem pestanejar: aqui
sempre
e nem precisa chamar
Tuesday, November 07, 2006
Monday, August 07, 2006
Tuesday, June 13, 2006
Saturday, June 10, 2006
Monday, May 22, 2006
dias curtos
Talvez eu seja mesmo a moça triste
A frustração dos dias curtos
Das noites baixas
Do dia claro (prefiro os cinza-claros)
Do riso raro
Do enfado de todo trabalho
Talvez eu guarde rancor
Talvez
Talvez seja tristeza
Talvez seja doença
Talvez passe
Talvez eu ainda seja o pensamento da menina do alpendre
Talvez eu vá
Talvez eu fique
Talvez eu me mude no mês que vem
Talvez me separe
Talvez case
Talvez mate (por amor)
Por ódio talvez
Talvez
Se tudo fosse outro que não esse
Se eu não fosse vagão vagante
E se o resto não fosse trem tão longe, tão distante
Talvez se meu trem fosse de carga
E se a empilhadeira empilhasse
Talvez se eu tivesse trazido outro bilhete, feito outro trajeto
Se eu ainda sorrisse
Se eu ainda chorasse
Se eu soubesse ficar calada
Escrever bem
Prestar atenção
Afinar a voz
E sorrir baixinho
Ah, se eu soubesse ser feliz,
eu diria:
Não sou mais poeta
Thursday, May 11, 2006
Quero ser Lemminsky
eu busco a felicidade do cinema americano
o possível,
é de se alcançar
o inatingível,
eterno
e por mais que queira morrer prematura
busco meio de morrer imortal
me enchi da realidade da vida
da minha videoteca entulhada de cinema europeu
.:ml:.
Friday, April 14, 2006
Sunday, April 09, 2006
Sunday, March 26, 2006
Thursday, March 09, 2006
ÓCIO CRIATIVO
tão ociosa que nem criar consigo...
me deixem dormir
se não estou acordada é porque quero dormir
se continuo dormindo é porque assim quero estar
se mudar de idéia
erguer-ei as pálpebras
me deixem morta-viva
no meu ócio sem criar
'as dezenove horas e quarenta e nove minutos dessa quinta-feira maldita
minha rima me irrita
meus clichês (baratos) escapam entre os versos
é tudo medo
vergonha de mim
dessa merda de texto
.:ml:.
Wednesday, March 01, 2006
Leminski para inspirar a quarta cinzenta
....
sossega coração
ainda não é agora
a confusão prossegue
sonhos afora
calma calma
logo mais a gente goza
perto do osso a carne é mais gostosa
.:Paulo Leminski:.
Tuesday, February 28, 2006
Tuesday, February 14, 2006
Ganha o jogo quem melhor enganar
E eu continuo nesse tabuleiro sem saída
com meu pino sempre em último lugar
Jogando o dado...
e perdendo a vez...
Cansada de ler o manual de um jogo errado
Cansada de acreditar nos que blefam
E blefar com os que acreditam
Te passo os dados
te entrego o jogo
te passo a vez
entrego os pontos
porque dessa vez é diferente
de você eu gosto
Sentimento puro que penso que só meus primeiros amores entenderiam
Ou que só a menina de 15 anos saberia dar
(Só ela me entenderia aqui do lado desse telefone mudo... )
Não sei sair do tabuleiro em que me meti
Meti os pés pela boca
meti um biombo no meu coração
E meti um sutiã apertado e uma blusa sem decote
para não haver escape de som
quis fazer um isolamento acústico dessa coisa involuntária pulsando
para você não desconfiar que o volume dele muda quando você chega perto
.:ml:.
Tuesday, February 07, 2006
Carta Aberta
Eu consegui te enxergar debaixo de seus subterfúgios
Debaixo de toda fantasia e parafernália
E pintei um retrato lindo seu
Com todas suas manchinhas meticulosamente postas no lugar
Ontem,
você rasgou meu quadro
E me deu em troca um 3x4 irreconhecível:
Manchado, rasgado e fora de foco
Não era o quadro que eu pintei
Trocamos as tintas
Trocamos de imagem
Trocamos de rostos
Fui eu que me enganei
.:ml:.
Sunday, February 05, 2006
Friday, February 03, 2006
Saturday, January 21, 2006
Ciclovia
Gosto do ciclo: nascer, crescer e morrer. Detesto descontinuidade. Intimidade de horas atrás que vira falta de carinho presente.
Descartável para mim, só seringa. Porque nem de embalagem descartável eu gosto. Relacionamento descartável é artigo não biodegradável. Não completa o ciclo, nasce e não desenvolve, é eterno recém-nascido, e eu não gosto muito de bebês.
Cheguei depois da valsa. Meus heróis morreram três décadas atrás. Minhas músicas não tocam na rádio e meus cd's são artigo de luxo, difíceis de encontrar. Tempo de amor descartável para mim não serve mais. Nunca serviu. Meu tamanho é G. PP jamais. Gosto de ciclos completos, e de preferência não findos.
Amor descartável não serve para mim.
Quero telefonema no dia seguinte. Quero a voz de ontem no dia seguinte. Mesmo que seja voz embargada fechando ciclo. Embargue a voz. Mas não descarte o amor que eu te dei. Procure embalagem nova porque eu sou biodegradável e eu não faço mal a ninguém. Quero seu amor de ontem.
Amor descartável não serve para mim.
Prove em segundos a mortalidade do nosso ciclo: nascer, crescer, morrer - em menos de 24 horas. Tempo não é problema. Meu amor só não aceita incubadora, nem lata de lixo. Meu amor tem ciclo. Se o seu não tem, dou por findo, morto, um aborto, nosso amor que nem nasceu e já morreu.
Covardia é para muitos, coragem só para os escolhidos. E eu tenho a coragem de fechar ciclos. Não sou covarde e não tenho cobiça. É sempre melhor um voando rasante que outros tantos voando em disparada. Prefiro fechar portas do que deixá-las abertas. Prefiro perda que stand by. Sou humana. E sei que pessoas não foram feitas para se guardar.
Seu amor descartável não serve para mim.
Eu gosto é de ciclo.
.:ml:.
Thursday, January 19, 2006
Monday, January 16, 2006
Thursday, January 12, 2006
e é por sempre fugir assim que me acostumei com o posto de fugitiva
de retrato colocado em postes
fujo léguas
e fujo mesmo
de madrugada para você não notar
quando você dá um vacilo e se distrai com uma bobagem qualquer - uma bobagem que não seja eu
fujo com uma velocidade tamanha que às vezes no meio da correria, me perco até de mim
fujo porque tenho pavor de tudo isso aí que você diz sentir por mim
e porque sei que o surreal só funciona nos quadros de Dalí, mas não no amor
e fujo principalmente porque é muita responsabilidade carregar sozinha tanto sentimento e tanta admiração
Por ora, continuo aqui
e eis que ainda não me tornei sua fugitiva procurada
Seu passo tem sido mais rápido que o meu - talvez pelas recentes corridas matinais ou talvez porque você seja mais esperto que eu e conheça atalhos que ainda não vi.
Meu pedido é único
se um dia desistir, promete que procura por mim?
me encontrar é sempre lugar-comum
E comece a tomar lições de gramática
Especificamente o capítulo das conjugações verbais
E mais precisamente do verbo insistir
Porque sou moça quieta e caseira
sempre prestes à partir
.:ml:.
Monday, December 19, 2005
meu nome ainda vai ser dito
soprado no canto do ouvido, do seu
vai querer chamar
só vai amar meu nome
vai virar fugitivo de guerra
sem medalha, sem broches
e terá a sorte da espera
cego de olho esquerdo e lado positivo
sem broche
sem medalha
amigo do medo
morrendo sem livro
sem nome falado
sem rosto guardado
filho de um mar sem rio
parente de mortos sem fome
pai de meninos sem nome
ausente de broches e carente de medalhas
.:ml:.
Friday, December 16, 2005
Foi meu aniversário ontem. Ontem. Hoje é outro dia. Hoje é dia qualquer, apesar de ontem ter sido meu aniversário. E apesar de ontem nunca ter ocorrido e nunca mais acontecer, ontem foi como todos os outros vinte e dois que vieram antes de ontem. A sensação é a mesma desde o primeiro que minha memória computou.
A decoração era de papai noel, é o que se ganha quando se é um sagitariano do segundo decanto. Sonhei que papai noel viria à minha festa e meus convidados ficariam boquiabertos. Eu seria a sua querida e todos saberiam. Afinal era do meu aniversário que ele participava. Aos seis anos, sonhei que o garoto do meu especial se lembraria do meu aniversário e me daria um abraço forte e um presentinho de amor. Aos onze anos, foi com meu parzinho da festa junina que sonhei, ele diria escondido em meio ao abraço ' eu te amo' e na hora de soltar do abraço eu diria da recíproca que existia. Aos quinze anos, pedi ao meu namorado que não fosse à festa... Depois parei de comemorar aniversários, não via motivos. Na verdade, nunca vi. Aos vinte um, também esperei alguém chegar pelo elevador do salão de festas. E ontem, te esperei, mas te esperei feliz. Posso dizer que estava até tranquila, pois nessa única vez eu tinha a exata certeza que você não vinha. Mas você veio. Foi via telemar, mas veio. Te odeio.
Thursday, December 08, 2005
Madrugada
Por que esse amor que tenho pela madrugada? E só por ela e mais nenhuma parte do dia? Essas horas em que se pode ouvir o menor ruído e também nessas exatas horas em que nada se diz e pouco barulho se faz. Daqui, de onde escuto essas horas, o único som são das sirenes e buzinas, que aliás adoram a madrugada - será inveja dos que estão acordados? Precisar de uma ambulância de madrugada é aliás uma coisa inteligentíssima. Vê? A madrugada é perfeita! Perfeita até para se precisar de uma ambulância, perfeita para ouvir a tv no volume mínimo e se ouvir tudo, perfeita para ler meus livros, escutar meus discos, lamentar o ter que acordar dali algumas horas quando ainda nem se dormiu..., perfeita para arrumar armário, álbum de fotos, olhar o vazio dessas horas por horas a fio da janela do meu quarto, olhar a luz que o céu da madrugada tem e por fim, ficar feliz porque vivi horas que a cidade não viveu porque dormia.
E antes de dormir, eu sempre me lembro de uma frase besta que adoro. De um filme do Domingos, quando Cabral diz: "Essa coisa de ser artista foi só uma desculpa que inventei para não ter que acordar cedo." Nessa frase Domingos desvendou todo o mistério da perseguição do homem pela arte: o artista gosta é da madrugada!
.:ml:.
Tuesday, September 27, 2005
Por onde anda minha inspiração quando eu preciso dela? Onde estão as palavras lindas para transformar em qualquer coisa essa dor?
Essa espera tem me matado. E essas suas palavras são muito pouco para o muito que sinto. E o que você me oferece, menos ainda.Que parte disso tudo é verdade? Quais promessas serão cumpridas? Haverá tempo para promessas cumpridas?
Desde o dia há um ano atrás eu acredito. Desde o primeiro beijo de minutos não contados há um ano atrás quando meu mundo parou, desde o dia em que minha vida nunca mais foi a mesma, desde o dia em que comecei a pensar em você e nunca mais parei, desde o dia em que você entrou para nunca mais sair.
Tenho sentimentos convictos e esperanças de ilusão.
Mania de sonhar com tudo que não pode ser.Mania que agora tem nome e olhinhos puxados. E uma mania irracional de acreditar em tudo que você me diz. O problema é isso que só você me faz sentir, essa mania de dizer tudo que eu quero ouvir, essas promessas que vêm como vidências de tudo o que eu quero e nunca vai ser. Essa minha mania louca de gostar do engano.
Eu fujo léguas, desligo o telefone, mudo de casa, troco de nome, peço trégua, desisto, imploro, sumo, xingo e te amo, te amo, te amo e você nunca desiste de mim.
Um beijo e seiscentos quilometros, nisso se resume tudo que a gente tem. Nisso se resume o aproximar e o afastar, o possível e o impossível, o sonho tão perto e a realidade sem data de chegada, o sonho que não quer partir e a ilusão que não arreda pé.
Do nosso amor só a gente sabe.
Desce daí ou me leva para aí. Porque eu não tenho mais forças para te acompanhar nesse sonho onde a gente nunca acorda.
.:ml:.
Tuesday, September 20, 2005
Monday, September 05, 2005

Quem sabe amanhã - como tantas vezes já aconteceu
Você me veja passando pela rua
E de longe, eu te aceno
Diferente de antes, dessa vez não espero resposta
Quero que passe por mim sem reação
Não quero nem mesmo que me olhe nos olhos
Mas não se preocupe meu amor,
Nesse mundo louco, delírios são normais
Essa não sou eu
E eu não te aceno
E a gente nem passa pelas mesmas ruas mais
Te entendo
Aceitar é mais doído
E se me engano, não enfrento
Nem penso
Veja você,
Nem se lembra quanto tempo faz
Vamos evitar os constrangimentos
E só dessa vez, vamos fazer o que eu quero
Fica combinado assim:
Você tira o nome da rua que passa em mim.
.:ml:.
Saturday, September 03, 2005
MAIS QUE LINDO
Menino mais que lindo
Daqueles que indo e vindo
Fazem duas coisas completamente diferentes
Menino mais que lindo
Por que sorris?
Quando choras?
Choras?
Menino mais que lindo
Aconteceu?
Foste realmente lindo?
Menino mais que lindo
Te amei
E foi lindo
Mas quando sem volta
Te vi
pela última vez:
Indo...
- Ah, foi mais lindo!



